sexta-feira, 10 de junho de 2016

Ao sentimento que eu não sei assumir

"I guess second best is all I'll know"

Se o coração dói e as lágrimas são mais fortes do que minhas armaduras, talvez eu seja mais abalável do que eu imaginei. Não é que você diferente, ou sequer o par perfeito, mas anos depois do primeiro beijo você ainda consegue trazer toda a tristeza que eu tentava esconder.
Falhei. Não apenas uma vez, mas três vezes seguidas. Sou talvez como aquele que nega seu mestre, três vezes perante ao espelho. "Três". Falhei.
Certeza de que não tenho o menor controle do que sinto. CERTEZA. Qual outro motivo para deixar meu corpo físico se deteriorar por ter uma nova rachadura na minha alma? Qual outro motivo para não dormir? Qual outro motivo para doer? E o que eu faço? Depois de tantas medicações, tanta química, o meu único tratamento parece ser desabafar numa carta que não será lida, entregue ou enviada. Porque o trem sai completamente de seus trilhos por um pequeno deslize. Não importa o quanto eu esconda e guarde, eu estou despedaçada.

-Ato I: Ao carinhoso

Eram muitos apelidos e palavras no diminutivo. Eu não conseguia retribuir, não por falta de empatia, mas por excesso de brutalidade. Não era meu tipo, não o que costumo buscar. Mesmo assim embarquei, foi como se houvesse recebido um bilhete para um filme que não pretendia assistir mas acabou sendo mais divertido do que imaginei. Eu não escolhi, eu aceitei.
 Fisicamente eu queria - queria mesmo. Mas não tínhamos nada em comum, nada. Rapidamente a conveniência tomou conta dos assuntos, da busca, do interesse. Não parecia me procurar por me achar boa, mas porque eu estava lá.
Dois meses de apenas três encontros - e veja que número que aparece novamente -, frustrados por não serem seguidos por mensagens sensíveis e tão carinhosas como foi antes de sairmos. Brigas - muitas em um espaço tão curto de tempo - tomaram conta das poucas manifestações de carinho trocadas. Ciúmes, implicância, infantilidade: dois adultos agindo como adolescentes que estão descobrindo o que é tentar lidar com outra pessoa. "Não quero mais te ver" e uma semana de silêncio. Me provei mais capaz de ignorar do que imaginei desde então.
"Você sumiu" CLARO, você disse não querer me ver, anjo. Espera o que? Que eu me arrastasse atrás de você? Não, não com o meu orgulho em dia. Sentimento? Auto-conhecimento? Maturidade? Não... Mas orgulho eu conheço há tempos. Um dia de conversa, finalizado por um desentendimento, uma pausa de uma semana, outro dia de conversa. E esse ciclo se repetiu.
Não dá, preciso de comprometimento. "Quer namorar então?" Não, não assim. Acabou! Deu por hoje.

-Ato II: Ao ciclista

Uma surpresa maravilhosa. Uma combinação inesperada. Uma afinidade que não entendi a princípio. "Está esperando ainda? Eu passaria aí correndo o risco de não te encontrar." Olha aí quem se arriscou"Se ofereceu como companhia, jogou sua ficha numa jogada que não estava segura e, TCHA-DA, royal flush. Horas de conversa, até que surgiu um "Quero te beijar, não sei como você se sente quanto a isso." Me beija: é assim que me sinto! É o que quero desde que vi seus olhos verdes e camisa roxa. Quer me conquistar? Barba cheia e camisa roxa ajudam muito.
Sabe o que aconteceu? Aconteceu que eu repeti uma história. "Ao que eu não queria ver partir" e entrei num relacionamento sério com o replay.
Sabe o que mais? Seu respeito por mim, sua capacidade de ser você mesmo e me permitir ser eu, sua forma de pedir para que eu voltasse ao beber café... Seu colo. Eu poderia passar minha vida inteira deitada no sofá vermelho, deitada no seu colo, ouvindo sua voz grave dizendo "Ginger", recebendo seu cafuné e olhando nesses olhos verdes... Observando Suas maçãs protuberantes e o desenho da sua barba. Não me importa o assunto, só continua falando.

*Primeira pausa*
O carinhoso aparece. Interessado, apaixonado, sem perguntar se deveria. Minha mente estava tão completa de você que não foi difícil desconversar.
*Fim da pausa*

E acabou... Nem sei explicar o que houve - ainda me pergunto. "Preciso ficar sozinho, (...) solidão é minha zona de conforto." Ainda sinto o palpitar do coração ao ver seu nome escrito numa notificação. Após aquela "uma noite" que você passou de mãos dadas comigo na frente dos seus amigos, do último colo, do almoço sonolento, da carona especialmente cheia de assunto... De se referir à minha mãe como "sogra", acabou.

-Ato III: Ao poeta da praça

Olha quem está de volta após seis longos anos. Não que você tenha desaparecido, pois volta e meia eu recebia um "olá" praticamente inter-estadual, mas eu me deixei tentar mais uma vez.
Pensava estar vacinada, como se minhas "definições de vírus estivessem atualizadas", mas - mesmo que não em questão de sentimento como da outra vez - me apeguei.
Por quê, senhor, me destes esta facilidade em me apegar? 'Pra' quê eu preciso tanto de um relacionamento, de comprometimento, interesse e entrega do outro se eu sei que não vai acontecer?
O mais ilógico é ter acontecido a conversa do "Vai por mim, melhor que eu não espere um relacionamento vindo de você" com sua resposta de "Ok, mas não pense que não vai acontecer." Pára de ter esse controle sobre mim! Sou outra pessoa hoje, com outra visão e outro posicionamento, você não deveria conseguir jogar com meu auto-controle mais. Inaceitável.
Desculpas esfarrapadas do motivo pelo qual não vamos conseguir nos ver no fim de semana. Eu me esforcei, juro! Mas terminei sendo irônica e buscar - novamente -  as indiretas pelos meios virtuais, sem sucesso.

*Segunda pausa*
Sabe quens falaram comigo? Um domingo sensível regado a fantasmas do passado. Quem diria que o Anão guerreiro iria aparecer? Que o Ciclista sabia buscar por mim? Que novos interessados surgiriam e que outros rapazes lembrariam de mim! Que haviam pessoas que sabiam quando uma rachadura se abre.
Uma visita recebida de surpresa se seguiu... E o coração? Continua sem curativos.
*Fim da pausa*

Cansei de indiretas, tentei fazer de conta que nada aconteceu. Me esforcei mais uma vez para buscar por você - olha que orgulho mais ingrato. E de que adiantou? Nada. Nenhuma abertura, nenhum interesse... E são três dias sem falar com você.

-Ato final

Três tentativas. Três rapazes. Três dias. Três partes quebradas em mim: orgulho, coração e estabilidade. Três incômodos: insônia, enxaqueca e ansiedade. Três de mim: a romântica, a sensível e a que tem humores mistos. Três chances: todas perdidas.
A última luz que se mantém acesa mostra a moça sentada só no meio do palco, um olhar melancólico paira sobre seus olhos e as cortinas se fecham. Não deveria buscar por outra pessoa para me completar. Era para ser completa só, busquei por um par com essa finalidade, terminei com três chances desperdiçadas.
São três novas cicatrizes que deverão se fechar sozinhas. Curativo? Não, doutor, eu agradeço... Mas tenho alergia a esparadrapos. Não, não é o material... O que me dá reação alérgica é a cola.

domingo, 26 de outubro de 2014

Ao que não conheci

13-14/08/2014

Te busco em todos os rostos, todas as máscaras que poderia usar, busco te encontrar em algum desconhecido na rua, busco o encontro que ainda não tivemos, espero encontrar o seu olhar perdido na multidão, buscando por mim. Te procuro em todas as vozes, todos os cheiros, na esperança de que você me chame a qualquer instante, entre na minha vida e a vire de ponta-cabeça.
Observo, atentamente, cada passo perdido, na intenção de que você precise de direções, do meu mapa, que eu possa te guiar pelo mundo afora... Assisto a todos os sorrisos, esperando que algum seja a resposta para o meu. Procuro nas calçadas encontrar passos que combinem com os meus, eu saberia se encontrasse, saberia se te encontrasse.


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Ao que eu não queria ver partir

Sábado 18 de outubro de 2014, Seca no auge, Noite quente, Por volta de 21:00 horas.

Querido, já faz tempo que não sei de você...
Sei até que eu deveria me manter a distância, porém a promessa de "amizade" me faz sentir um certo "direito" de me aproximar. Fui aconselhada a te evitar, "Ele vai sentir sua falta e te procurar", mas não tenho força de vontade o suficiente para fazer de conta que não me importo.
Independente de qualquer outra justificativa, escrever para você me parece terapêutico neste momento, uma forma de desabafar (em silêncio) e tentar não demonstrar para mais ninguém o que estou sentindo.
Queria que você soubesse o quanto eu sinto sua falta. Na mensagem de "Bom dia" que não recebo, no comentário sobre acroyoga que não ouço, na conversa para passar o tempo durante a noite que não participo, na imagem de um pão recém-assado que não vejo. Queria também que soubesse o quanto eu sinto saudades... Da sua voz grave, das brincadeiras que me faziam rir, do perfume na nuca, de ficar abraçada com você no tapete, dos beijos deliciosos, do carinho reconfortante, do olhar que me fazia sentir como se pertencesse aquele lugar, do toque que arrepiava até meus pensamentos, da barba macia com cheiro de óleo de tratamento, do sexo que me fazia acreditar em encaixe perfeito.
Tudo isso me faz sentir que não tenho o menor amor-próprio, porque você terminou comigo dando a entender que não me disse o real motivo, me falou "fechar a porta, eu não sei... O mundo dá tantas voltas", se afastou, me deixando com dúvidas e o peito pesado e dolorido, mas, mesmo assim, eu não consigo sentir raiva de você e ainda quero você por perto. Tanto quero que passo horas dos meus dias imaginando reencontros, situações, conversas, pensando em motivos para te procurar, sonhando com você (tanto dormindo quanto acordada). Me lembro de você com tudo, TUDO.
Ontem mesmo, show do Falamansa, e as letras me faziam pensar em você, em nós dois. "Se te amarei foi de verdade, se chorei foi de saudade, foi saudade de você". As vezes eu gostaria  que você ficasse com alguém e isso te fizesse pensar em mim, considerar o quanto era bom e perceber que não vai ser tão bom com ninguém, que isso te fizesse voltar atrás e eu sei que colocaria meu orgulho de lado e aceitaria... E isso me faz perceber que estou exatamente na mesma situação que o *Nome de ex* se colocou quando eu não quis mais. Será que você veio na minha vida como "Justiça Divina"?
Me frustra saber o quanto eu procurei por alguém que se encaixasse tão bem nas minhas idealizações e, quando encontro, preciso vê-lo ir embora da minha vida com tanta facilidade. Eu quero acreditar que qualquer dia você vai voltar, mesmo que demore, e que você gosta de mim, mas não estava preparado para assumir um relacionamento sério por medo ou imaturidade. Quero ver esse término como sua maneira de tentar se convencer que não me ama, que não está apaixonado.
"Mas foram só 2 meses", mas eu nunca tive uma entrega tão intensa e sincera antes. Eu sei o que quero, eu quero você.
Eu tento entender qual é o "ensinamento" por trás disso tudo. O que eu deveria perceber. "Justiça Divina", "Dor de perder o que tanto quis", "Todo mundo tem fraquezas", "Ninguém está preparado para tudo", "Não dependa de ninguém para ser feliz", "Amor é uma invenção", "Eu só estou sofrendo porque foi ele quem terminou", "Justiça é o caral**", "Ele não presta (mentira, ele é uma graça!)", "Eu não mereço alguém como ele", "Eu fiz merda, por isso ele não quis mais", "O universo me odeia", "Eu posso conseguir melhores (duvido)", "Não existe razão"...
Falho em aceitar que pode não haver uma resposta concreta para isso... De qualquer forma, eu sei que preciso respeitar sua decisão. Mas acho uma pena.

Agora só posso te desejar felicidades.
Um beijo de quem te amou, mesmo não assumindo isso.
Kaká

domingo, 19 de outubro de 2014

Ao Poeta da praça

08/01/2011
Se houver verdade absoluta, concreta, real, exata, por favor, não me conte.
Se você consegue, com uma palavra, me desfazer em mel por desejo de você, qual o motivo da dor que sinto quando você não está?
Porque cada arrepio só me lembra você, e só! Me lembra seus beijos incontroláveis, suas mãos que só sabem dedilhar-me e deslizar por minhas costas e cintura, descobrindo o que meu corpo esconde.
Porque cada suspiro é por e para você, porque me falta o ar, porque o coração é algo que pesa em meu peito e porque eu ainda não sei amar. Certo, talvez eu saiba, e até ame outro homem, mas é por você que minha pele queima, que meu sangue rasga as veias doloridas e que eu faço tolices... É por você, e só por você, que eu gasto minhas inseguranças imaginando se devo, ou não, ligar. É por você que mordo meus lábios, me sinto culpada e sei que sou apenas mais uma boba apaixonada. Foi você que me mostrou onde mora a paixão, onde se esconde meus desejos e que o medo insiste em bater na minha porta. Foi você quem me ensinou que vale a pena me entregar, mesmo que você tenha sido o único que não me disse isso. Foi com você que eu sonhei, é de você que eu falo, é de você que sinto saudades.
É de você que lembro quando me vem um sorriso de quem precisa de álibi e que eu tenho disfarçar com olhares culpados para os lados. É das suas piadas bobas, expressões diferentes e voz de ocupado que eu sorrio e me sinto idiota por isso depois. É com você que quero me entrelaçar, deitar de mãos dadas e sentir só o calor do seu corpo na cama e nada mais. É o seu sono que eu quero admirar, seu sorriso de quem sonha, seus tremeliques ou qualquer outra coisa que você faça dormindo.
Porque eu sei que toda vez que eu tento escrever é por você e que e cansei de ensaiar frases para te dizer e sei que não adianta mandar todas as indiretas pelos ventos virtuais, você simplesmente não vai entender.
Eu me sinto farta, farta de ler milhares de mensagens que não são suas, farta de saber que você não pensa em mim enquanto eu penso em você, farta de imaginar as trocentas garotas com quem você pode estar, farta de pensar em te esquecer, sabendo que eu não quero.
Mas o que mais dói, o que me machuca e deixa cicatrizes doloridas em alto relevo é saber que eu me entrego a você, por qualquer sorriso torto ou meia dúzia de versos mal-feitos, por qualquer coisa, desde que venha de você. O que me mata é o que me faz viver, nunca imaginei que essas frases clichês seriam escritas por mim ou que eu passasse por uma situação assim, mas o que mais me fere o orgulho é saber que eu não abriria mão de você, nem para ver se você viria atrás de mim.
Você me faz esperar por finais felizes, por contos de fadas, tira o que existiu de racional em mim, me tira do sério com seu jeito de dizer "Baby", me mastiga com seus dentes de sorrisos perfeitos, me abandona e sempre me faz voltar quando diz "doceira" ou "quero sim".
É por sua causa que quase não controlo minha vontade de ir contra minha mania de nunca dizer "beijo" antes desligar o telefone ou de me fazer sempre de forte. É por sua causa que eu sinto que a caixa de Pandora de sentimentos que eu guardo em mim pode se abrir e o pior: sei que posso gostar.
E é por sua causa que termino um texto assim:
"Tudo rola, baby"
Hanny Writter,

Dedicado ao que existe em mim,
que eu não conheço,
que pode ser amargo
mas que insiste em ser doce...
Dedicado ao poeta que abriu as portas
dos muros que ergui em mim
usando o que ele nem sabe que tem.
Dedicado ao beijo na praça,
às músicas que cantamos,
à fonte do quintal
e a todo o resto que ainda pode acontecer

sábado, 18 de outubro de 2014

Ao Meu Anão Warrior Preferido

"Hoje a saudade bateu, apertou meu coração, me fez querer derramar lágrimas mas eu não me permiti. Hoje a saudade revirou minha cabeça, trazendo lembranças que não foram sequer escondidas, deixando claro que eu não estarei pronta nunca para aceitar que o destino me surpreenderá vez ou outra.
Hoje a saudade assombrou meu quarto, me tirou o sono e cansou minha cabeça, que buscava respostas afim de saciar as dúvidas que ainda tenho... Hoje li uma cara que eu mesma escrevi, mas não fazia sentido, pois era para você. Hoje ouvi uma música, olhei uma foto, usei uma blusa, sussurrei o seu nome... Em vão.
Hoje percebi que ainda amo, e que será sempre assim. Hoje desejei que os céus me dessem a oportunidade de esbarrar em você numa esquina e estar pronta para tentar e poder contar com você para uma nova vida.
Hoje não dormi, porque o seu toque não se apagava da minha pele, teu cheiro não me saía da lembrança e sua voz preenchia o vazio das paredes.
Hoje eu me senti sozinha, mas ninguém saciava minha solidão. Hoje lembrei que te amo, pena não poder dizer-te. Hoje eu desejei poder mandar mensagens telepáticas só para entrar nos seus sonhos e dizer "Aguenta firme, eu torço por você".
Eu amo você,
Hoje e sempre,
(sua) Skaði."
Madrugada entre 08 e 09 de Março de 2014